El Mandrake
Hoje é dia 14 de dezembro de 2012. Eu estou sozinha em casa escrevendo essas palavras que de repente surgiram na minha cabeça. Há exatamente dois anos atrás a situação era a mesma, mas os motivos contrários. Era uma terça feira, fazia um ano que meu pai havia perdido o emprego e por conta disso precisou ir para outra cidade trabalhar. Eu passei a semana que antecedeu o dia 14 lamentando ter que assistir ao jogo sozinha, sem aquele que era o responsável pela minha paixão. Meu pai provavelmente estaria em algum lugar assistindo nosso colorado, sozinho também. Nós estaríamos juntos no sábado seguinte, quando nos tornaríamos donos do mundo pela segunda vez, eu não precisava ficar triste por isso afinal. Acordei pela manhã e fui para escola, lá onde apenas um amigo compartilhava meu sentimento. O Dudu é meu colega desde a primeira série, agora meu amigo. Ele é um tipo diferente, colorado de alma, mas que nunca gostou de contar para os outros. Eu acho engraçado, ele pode se comportar como um perfeito desinteressado na frente dos outros amigos, mas eu sei o que se esconde ali dentro.  Enfim, passamos a manhã entre agouros e pragas. Quando o sinal soou que estava na hora de ir para casa, nós já não conseguíamos ficar parados, tamanha era a ansiedade.  Voltei para casa correndo, mal engoli alguma coisa na hora do almoço e o tempo nunca passava. Eu apenas sentei no sofá, e esperei.
A hora chegou, finalmente, eu os via entrar em campo, um a um, fixando o olhar naqueles aos quais eu idolatrava de tal forma, que não podia enxergar defeitos: Índio, Guiñazu, Rafael Sobis, D’Alessandro. Os dois últimos levavam sozinhos, quase toda minha confiança. Um deles, criado aqui, viveu desde o nascimento este sentimento que apenas vocês que o levam consigo, podem entender. Antes de se tornar um craque, foi torcedor, ele sim entende a nossa própria razão. O outro, criado longe daqui, chegou e foi apresentado a nossa ‘religião’, a qual logo se converteu. Esse também se pode dizer que nos compreende, um colorado nato, que apenas não havia descoberto isso dentro de si, até o ano de 2008.
Cada um tomou seu lugar e a bola rolou. O juiz havia dado início aquela que seria uma das piores partidas da minha vida até ali. Talvez meu erro tenha sido confiar demais em apenas dois, no fundo eu sabia que eles não jogavam sozinhos lá na frente, mas diante do resto do nosso time (não desmerecendo ninguém), eu só poderia confiar verdadeiramente neles. Os outros dois lá atrás, verdadeiras lendas, guerreiros como nunca se viu antes, não conseguiriam correr sozinhos, durante todo o jogo atrás dos velozes africanos. Índio junto com Bolívar, não conseguiu parar o primeiro carrasco, assim como Guiñazu sozinho não pôde conter o segundo. E o sonho estava acabando ali.
Eu tinha vontade de fugir para algum lugar onde não houvesse TVs, rádios, e pessoas. Eu apenas não queria escutar sobre aquilo, ou ver gente de azul, que cheirava a naftalina rindo da minha cara. Aquela semana foi triste, para torcedores e jogadores, e a cena do Sobis chorando me doía ainda mais.
O tempo passou e hoje eu encaro isso como mais uma página, ou como diria Luis Fernando Veríssimo, prólogo. Eu entendo agora, que quando chegamos à Abu Dhabi, éramos vencedores, durante aquele jogo fomos vencedores, e após a derrota, despedaçados, continuamos sendo vencedores. Para chegar lá, sofremos pra caramba, e só a gente sabe como foi sofrido cada passo, superar o Estudiantes em La Plata, ou virar final de Libertadores contra o Chivas.  SÓ NÓS, podemos falar sobre isso com total conhecimento de causa. E se convençam, foi melhor assim, do que ter sido campeão da Batalha dos Aflitos, pois para isso, precisaríamos ter caído para série B, e como TIME GRANDE NÃO CAI, nunca provamos disso.  Hoje,  se azuis se reúnem em Porto Alegre para comemorar o “Mazembaço”,  estão apenas reafirmando que não têm títulos, para comemorar seus próprios feitos.
TERCEIRO SIM, SEGUNDA NUNCA.

Hoje é dia 14 de dezembro de 2012. Eu estou sozinha em casa escrevendo essas palavras que de repente surgiram na minha cabeça. Há exatamente dois anos atrás a situação era a mesma, mas os motivos contrários. Era uma terça feira, fazia um ano que meu pai havia perdido o emprego e por conta disso precisou ir para outra cidade trabalhar. Eu passei a semana que antecedeu o dia 14 lamentando ter que assistir ao jogo sozinha, sem aquele que era o responsável pela minha paixão. Meu pai provavelmente estaria em algum lugar assistindo nosso colorado, sozinho também. Nós estaríamos juntos no sábado seguinte, quando nos tornaríamos donos do mundo pela segunda vez, eu não precisava ficar triste por isso afinal. Acordei pela manhã e fui para escola, lá onde apenas um amigo compartilhava meu sentimento. O Dudu é meu colega desde a primeira série, agora meu amigo. Ele é um tipo diferente, colorado de alma, mas que nunca gostou de contar para os outros. Eu acho engraçado, ele pode se comportar como um perfeito desinteressado na frente dos outros amigos, mas eu sei o que se esconde ali dentro.  Enfim, passamos a manhã entre agouros e pragas. Quando o sinal soou que estava na hora de ir para casa, nós já não conseguíamos ficar parados, tamanha era a ansiedade.  Voltei para casa correndo, mal engoli alguma coisa na hora do almoço e o tempo nunca passava. Eu apenas sentei no sofá, e esperei.

A hora chegou, finalmente, eu os via entrar em campo, um a um, fixando o olhar naqueles aos quais eu idolatrava de tal forma, que não podia enxergar defeitos: Índio, Guiñazu, Rafael Sobis, D’Alessandro. Os dois últimos levavam sozinhos, quase toda minha confiança. Um deles, criado aqui, viveu desde o nascimento este sentimento que apenas vocês que o levam consigo, podem entender. Antes de se tornar um craque, foi torcedor, ele sim entende a nossa própria razão. O outro, criado longe daqui, chegou e foi apresentado a nossa ‘religião’, a qual logo se converteu. Esse também se pode dizer que nos compreende, um colorado nato, que apenas não havia descoberto isso dentro de si, até o ano de 2008.

Cada um tomou seu lugar e a bola rolou. O juiz havia dado início aquela que seria uma das piores partidas da minha vida até ali. Talvez meu erro tenha sido confiar demais em apenas dois, no fundo eu sabia que eles não jogavam sozinhos lá na frente, mas diante do resto do nosso time (não desmerecendo ninguém), eu só poderia confiar verdadeiramente neles. Os outros dois lá atrás, verdadeiras lendas, guerreiros como nunca se viu antes, não conseguiriam correr sozinhos, durante todo o jogo atrás dos velozes africanos. Índio junto com Bolívar, não conseguiu parar o primeiro carrasco, assim como Guiñazu sozinho não pôde conter o segundo. E o sonho estava acabando ali.

Eu tinha vontade de fugir para algum lugar onde não houvesse TVs, rádios, e pessoas. Eu apenas não queria escutar sobre aquilo, ou ver gente de azul, que cheirava a naftalina rindo da minha cara. Aquela semana foi triste, para torcedores e jogadores, e a cena do Sobis chorando me doía ainda mais.

O tempo passou e hoje eu encaro isso como mais uma página, ou como diria Luis Fernando Veríssimo, prólogo. Eu entendo agora, que quando chegamos à Abu Dhabi, éramos vencedores, durante aquele jogo fomos vencedores, e após a derrota, despedaçados, continuamos sendo vencedores. Para chegar lá, sofremos pra caramba, e só a gente sabe como foi sofrido cada passo, superar o Estudiantes em La Plata, ou virar final de Libertadores contra o Chivas.  SÓ NÓS, podemos falar sobre isso com total conhecimento de causa. E se convençam, foi melhor assim, do que ter sido campeão da Batalha dos Aflitos, pois para isso, precisaríamos ter caído para série B, e como TIME GRANDE NÃO CAI, nunca provamos disso.  Hoje,  se azuis se reúnem em Porto Alegre para comemorar o “Mazembaço”,  estão apenas reafirmando que não têm títulos, para comemorar seus próprios feitos.

TERCEIRO SIM, SEGUNDA NUNCA.

1 year ago with 8 notes
#Inter #d'alessandro #rafael sobis #índio #guiñazu #mazembe



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